segunda-feira, 27 de abril de 2009

Domingos

Domingo pra mim sempre veio acompanhado pelo barulho de motor. Por mais que eu quisesse ver desenho de manhã, não havia chance. Meu pai era, como sempre, categórico. É dia de corrida. Por isso cresci ouvindo os nomes de todos os pilotos brasileiros e não-brasileiros da Fórmula 1. Na verdade os nomes são os mesmos, apenas as posições mudam. Mas enfim, o que realmente quero dizer com tudo issso é: foda-se o gordo Ronaldo, eu torço mesmo é pelo Rubinho.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Capadócia

Se você não mora no Rio de Janeiro dificilmente sabe que hoje é dia de São Jorge. Digo isso porque aqui é feriado e, digo mais, um dos mais importantes. Todo ano, pontualmente à meia-noite, inicia-se uma queima de fogos no melhor estilo reveillon que vara a madrugada a dentro. Quando eu era moleque, era fascinado por um quadro da minha avó paterna onde Jorge aparecia na clássica imagem com o dragão. Só de olhar para ele eu me sentia seguro e mesmo depois de velho, mesmo depois de cético, ainda me sinto. Salve, Jorge!

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Círculo de segurança

É lei. Quem trabalha no computador tem direito a dez minutos de break a cada uma hora e meia de trabalho. Pensando nisso, criamos o círculo de segurança, para momentos de meditação. Aprenda a fazer o seu em 3 passos: 1) Ache um lugar desocupado no seu trabalho (de preferência escuro); 2) Arranje um carpete em forma de círculo, com 2 metros de diâmetro (para 2 pessoas); 3) Encha seu mp3 com Pavement, Wilco e a trilha de control. Agora é só relaxar e matar trabalho. A lei trabalhista te protege.

Pais, eduquem seus filhos!

Esses dias eu tava de bobeira no twitter e um amigo meu de São Paulo comentou sobre um tal de "no pants não sei o que". Na hora eu não me interessei o bastante para saber do que ele tava falando, mas depois de algum tempo outras pessoas continuaram a falar nesse tal "evento" e eu resolvi ir no google pesquisar. Eis que encontro ISSO. Achei uma parada muito desnecessária. Não, gente, isso não é legal. É por essas e outras que de vez em quando eu agradeço aos meus pais por terem me dado umas porradas quando eu era moleque.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Olhos onde surge o amanhã

Quando eu era criança, ser colorado moldava caráter. Aqueles eram anos azuis. Época do Felipão, do Danrlei, do Paulo Nunes - vomitay -, quando eles ainda se gabavam pela conquista do mundial (o que fizeram até 17.12.2006). Mas quando passou pela minha cabecinha juvenil ser igual às minhas amiguinhas, meu pai foi categórico: gremista não pisa nesta casa. Foi o suficiente pra eu nunca mais pensar no assunto. Mas agora é a nossa hora. Hordas de camisas vermelhas povoam a cidade. E é por essas e outras que vou jogar minha camiseta da argentina no lixo.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Notícias do front

Viver aqui é difícil. É como se houvesse uma eterna contradição entre cidade e população. Nesse contexto acontecem coisas bizarras: O dono da verdade resolveu fazer um muro, que até o Saramago contestou. O próximo passo é ligar o gás e finalmente tirar essas pedras do sapato de madame da - rica - Zona Sul. O legal é lembrar que essas favelas só existem porque o pobre cansou de pegar trem pra chegar no trabalho. Não desconfio por quê. Mas o malandro pra valer, não espalha, já morreu.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Você decide

Eu não sei o que escrever. Podia falar das teorias evolucionistas que surgiram em volta de uma mesa que não era de bar, mas serviu para o mesmo propósito. Ou sobre como o trabalho que me frustrava agora me tornou uma quase autoridade e workaholic. Ou ainda sobre minha sede de ir pra São Paulo, que sumiu totalmente junto com minhas últimas dúvidas a respeito de sentimentos que não me julgava mais capaz de ter. Ou finalmente sobre a paz que me tomou esses tempos. Então. Qual vai ser?

domingo, 12 de abril de 2009

Subversão

Eu gosto de pensar que não fui jogador de futebol por um mero acaso do destino, sendo que, na verdade, o maior deles foi a minha própria falta de vontade. Talvez por isso tenha me identificado tanto com o caso Adriano, que conscientemente ou não foi capaz de questionar algo muito maior que a lógica dinheiro x felicidade quando jogou a merda no ventilador. Adriano pois em xeque a estrutura futebolística, covarde e sanguessuga, que ainda hoje estigmatiza eleitos e não-eleitos. E tudo isso porque teve a audácia de se orgulhar, é.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Brincadeira

Ter o que fazer é o que tá me atrapalhando agora. Ter uma companhia nem entra em discussão. Como se o trabalho não fosse suficiente, resolvi reformar como as coisas são feitas por aqui. Muitas reuniões. E justo agora que os projetos paralelos finalmente deram um hold, me viciei nessa merda. Sério. Nesse exato momento uma dúzia desses cabeçudos tão me encarando sem dó e a única coisa que conseigo pensar é em qual será o próximo. Até parece que tenho tempo livre.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Círculo

Arrumar o que fazer é fácil. Ter o que esperar também. Agora, ter uma companhia? Aí o buraco é mais em baixo. Quando eu tinha 15 anos, me apaixonei por uma menina da minha sala chamada Fernanda. Uma porrada de gente queria pegá-la, mas sabe-se lá por que fui eu - e só eu - que peguei. Formávamos um casal "bonitinho" e tínhamos tudo pra dar certo, mas ela era meio idiotinha e enjoei dela depois de uma semana. Ficamos juntos por meses. Fernanda me ensinou que eu não sacava porra nenhuma de "ter uma companhia".

sexta-feira, 3 de abril de 2009

2 vértices e meio

Tempos atrás me apresentaram um sistema de felicidade que achei digno. E agora quero compartilhá-lo com vocês, quatro leitores. É o seguinte: nossa felicidade tá baseada em três vértices de um triângulo equilátero. Esses vértices representam: 1) ter o que fazer; 2) ter o que esperar e 3) ter uma companhia. De acordo com a filosofia de botequim dessa minha amiga que chegou a essa fórmula, se pelo menos dois desses pontos estiverem preenchidos, a gente tá bem encaminhado. Procede?

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O pior dia do ano

O dia em que TODOS os idiotas ficam felizes. O dia em que os patrões muquiranas se esquecem que já te humilham o ano inteiro e fingem ter um motivo pra te sacanear. O dia em que aqueles que tem uma mentalidade pré-adolescente bem desenvolvida - não importando a idade real - são largamente bem sucedidos. Como se toda a mentira do mundo não fosse suficiente. Como se não pudessem ver o que é tão óbvio. Como se mentir fosse bom. Primeiro de abril. Não tenho mais idade pra isso, sério. Não me provoquem.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Quando casar sara

Lá em casa a gente (pai, irmã e eu) sempre teve um acordo não verbal relacionado a doenças. Não falamos sobre elas. Não reclamamos, não choramos. E de preferência não tomamos remédio. Afinal, uma hora passa. Assim, a parte do drama fica reservada apenas para minha mãe. Porque ela tem mais motivos do que eu posso listar aqui. Passaria muito das oito linhas. Doenças passadas, presentes, sequelas, remédios, exames e afins. Sofrimento. Perto disso quem tem o direito de reclamar de uma gripe babaca?